Estive assistindo "Todo Mundo Odeia o Chris" e vi um episódio em que ele avalia em ir para o jogo com o pai e o irmão, mas uma "menina" quase atrapalha sua ida ao jogo, tornando-se uma outra opção de lazer. E lembrei dos tempos em que ver o Vitória jogar era obrigação.
Em 1993 despertei para o futebol de vez ao ver meu time Vitória ir à final do campeonato brasileiro, e torci muito, mas a p** do Palmeiras atrapalhou. Mas a "fominhagem" cresceu e passei a ser um real torcedor e passei a ser parceiro meu Pai, que deixou de frequentar a torcida mista - pude ver pela TV (deveria ter uns 7 anos na época) ele e seu compadre (NELMO - torcedor do Itinga) quase tomando uma sova dos PMs à cavalo - NELMO ainda levou uma "cutucada" na cabeça.
ALIBRI ensinou-me a torcer, levando-me à Velha Fonte Nova, e nossa parceria deu certo e não cansávamos dos êxitos, e nem chuva era capaz de nos atrapalhar; e as investidas tornaram-se cada vez mais frequentes. Uma certa vez, a fila, na nossa extinta sede de praia, para adquirir ingressos estava muito grande, quem furou para nós foi Mãezinha grávida de minha irmãzinha, coagida por nós, senão iria esperar no calor (rss)...
Noutro momento, acho que em 1999 (já viciado), dei uma desculpa esfarrapada para sair mais cedo de um trabalho de gravação do filme Metraton. Ingénuo eu, todos sabiam de minha "doença", enquanto escapulia um torcedor do Itinga gritou "vai pro Barradão!?", continuei sem dar ouvidos; minha prima-irmã AP viu meu pai e saiu para falar com ele, o Tutor estava vestindo o manto rubro-negro; ela ainda me viu trocar o meu dentro do carro - que baixassem minha nota, não iria fazer diferença!
A nós juntou-se LEOCON, grande pé quente, o trio parada dura era certo, as articulações eram perfeitas e sumíamos, não havia celular, mas para quem conhecia um pouco era só verificar a tabela de jogos. GEREPI e LUBAR, moradores do Vivendas eram apanhados no meio do caminho para Nossa Casa. E depois que cresceu meu irmão PEMO entrou na jogada, seguindo os ensinamentos do nosso grande Tutor.
O ritual se iniciava em casa, informávamos o destino, almoçava cedo e tomávamos o rumo. Chegando lá, o velho churrasco no palito regado à refrigerante para não ter que ir ao banheiro antes do intervalo - isto mesmo antes de proibir a cerveja dentro do estádio. Após finalizado o jogo a vibração da volta para casa seria determinada pelo resultado. Mas depois do surgimento do engarrafamento na saída, a resenha passou a ser feita ali mesmo, no "isopor" que tivesse a cerveja mais gelada.
Mas é isto, não se meta entre o apaixonado e o futebol, pois somente quem frequenta sabe o quanto é bom estar lá vibrando na arquibancada acompanhando seu time, independente da importância dele, "na alegria, na tristeza, com chuva ou sol". E os reais apaixonados são aqueles que não escolhem para quem vão torcer contando o número de títulos ou sobre imposição da televisão, e sim pelo legado. A paixão é contagiante, não se aprende a torcer sozinho, aprendi com meu Pai, e meus filhos aprenderão comigo!
Infelizmente, serei um torcedor à distância, mas quando meu Vitória vier por estas bandas estarei lá!
2 comentários:
Leo,
Independentemente de ser "Itinga minha p..." ou "Canabrava Vice" o seu texto é muito pertinente e especial.
Lembro de muitas idas à Velha FN com Alibri torcendo para times adversários mas nossa amizade é acima de tudo. Muitas lembranças até um bavi que bebemos todas de graça.
Mas, o mais importante realmente é o legado. Lembro do meu velho que fazia a corda de carngueijo com meus irmãos e íamos para a fonte nova e quem não torcesse pelo Itinga MP, não tinha direito a limonada com água do dique, rolete de cana, amendoim, pipoca, etc. etc.
Um grande abraço de beijo de seu tio NELMO "O Sereno"
Cenas do próximo capítulo grande tio NELMO!!!
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