segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Poder do demônio

Democracia, do grego, kratos = poder e demo = povo, mas no caso do Brasil é demônio mesmo. Digo isso pela simples olhada na rede, não fiquei restrito às sociais. Mas vamos lá, uma boa parte não sabe perder e agride os oprimidos, sendo que quem tem a máquina na mão são os opressores. O povo sofrido votou pela continuidade das melhorias que vem acontecendo no país como um todo [1]. Não vou generalizar aos sulistas, pois lá tenho grandes exemplos de pessoas maravilhosas que passaram por minha vida. Tenho muito respeito pelos brasileiros, não são podres, os que se manifestam preconceituosamente sim, mancham a imagem desse povo amigável e cordial.

Sou um negro, e como todos outros sofro constantemente preconceito pela minha cor da pele, principalmente onde estou inserido hoje, bairro nobre praieiro de Pernambuco, sendo baiano terminou de f*** com tudo. Nunca fui favorecido por muitos programas, não tive tudo que quis, porém educação de qualidade sim, que o diga a ETL e o PhD. Meus pais oriundos de bairro popular cresceram pois entraram no banco federal e conseguiram elevar o padrão do seu primogênito, pois a realidade do gueto é bonita mas é dura, e eles queriam que o garoto amadurecesse e tivesse o conhecimento que eles não puderam adquirir na época.

Eu “Playboy” (somente por ter acesso à educação de qualidade, pois meu comportamento passa longe disso) passei numa universidade pública e vivi a mesma. Fui de Diretório Acadêmico (DA), onde aprendi e vi como funciona a política. Como a orientação veio de berço sempre fui de esquerda e lutei com muitos “amigos” pelas melhorias dos nossos curso e profissão. E sofri, pois nosso DA passou a ser preterido de discussão devido ao fato de não baixarmos as cabeças para Colegiado, Sindicato e Conselho. Vi os “militantes” da UJS serem favorecidos simplesmente por sempre dizerem amém e levantarem bandeiras. Daí surgiu o suprapartidarismo.

Passou o tempo e me formei, e um Amigo que tenho até hoje me deu uma oportunidade num momento que não tinha nada, era recém formado e não tinha diploma, pois a universidade entrou em greve após as defesas de TCC. Diante do conhecimento ele apostou em mim e tenho plena certeza que não o desapontei. Porém por vontade própria resolvi regredir e passar a ganhar 3x menos o que ganhava, isso mesmo a bolsa de mestrado era R$1200.

E de lá para cá o Brasil cresceu, saiu do mapa da fome [2], e minha vida acadêmica deslanchou, principalmente com os avanços nos investimentos nas universidades públicas [3] (peguei o bonde embalado já), até a bolsa aumentou [4]. Tive sorte, pois voltei em momento em que haviam bolsas (sim eu vivo de Bolsa), pois anteriormente era complicado viver em pós-graduação, não haviam bolsas suficientes, e minha única complicação foi passar nas seleções pois tenho mestres que também apostaram em mim. As publicações em geral aumentaram, o Brasil figura já entre os grandes como desenvolvedores de conhecimento. E isso tudo você pode expandir para fora dos muros da universidade, quando você vê que hoje parentes foram beneficiados pelos programas de cotas/financiamento e são empresários é gratificante, a família progrediu e está crescendo mais, nosso trabalho e esforço também deve ser valorizado.

E todo esse tempo a mídia golpista tentando depreciar [5] sem mostrar os reais motivos de tudo (porto de Cuba é um exemplo [6]), falando-se até em uma ditadura comunista – quem viveu a ditadura deve ter comichões ao ouvir isso. A rede aumentou o acesso a (des)informação, as campanhas foram pautadas principalmente em dizer quem era o pior e sim houve o discurso do medo por ambos os lados, e tentei sempre argumentar mostrando os desmandos da oposição, que é dona da mídia e oculta escândalos (mas de vez em quando uma piada não mata). Sei o que passei com meu pai sem aumento salarial por 7 anos, e com minha mãe ex-bancária, agora profissional liberal, seguindo sem conseguir investimento. Não queria este passado em minha porta novamente já que ainda existem bancários e PLs em minha vida.

E a rede social passou a mostrar quem realmente eram seus “amigos”, porque na mínima tentativa de debates o simples ódio brotava sem argumentos concisos. A diferença são os direcionamentos dos governos, um pelo menos luta pelo trabalhador/povo e o outro não, ninguém falou que os bancos tiveram lucros recorde [7] e que de tomadores passamos a fornecedores [8]... quer dizer, “você samba de que lado?”. Mas foi bom para identificar aqueles que possuem desvio de caráter, para poder excluir sem culpa do seu feed, inclusive aqueles que tem a mesma orientação que você, não o mesmo posicionamento, pois compactuam com o discurso do medo.

Interessante são os “derrotados” chamarem os “vencedores” de burros, desinformado, que pobre tem que se f***. Mantendo assim o tom das campanhas, que achei a cara do típico brasileiro, que se vangloria depreciando os outros. A intromissão é tão grande que quer tomar conta até do ânus alheio, colocando a margem cidadãos que também pagam impostos da mesma forma, merecedores de todo o direito civil. E muito me admiram os “cristãos” que são os primeiros a atirarem a primeira pedra. Vivemos num Estado laico, os dogmas devem ser restritos aos templos e aos seus seguidores, não venha impor à sociedade seu “modus operandi”, para depois ir criticar os conflitos no oriente médio.

Nosso país hoje vive pautado num ódio pelo diferente, o que perpetua essa luta de classes e e não de ideologias. A moderação, o respeito e o debate é que farão crescer, pontos contrários podem ser convergidos para um bem comum, já que vivemos num capitalismo com ações sociais, melhor tirar o país do mapa da fome do que promover o ódio dizendo que quem votou tem que se f***. Parafraseando “é porque o técnico não é do seu gosto que você vai parar de torcer para o seu time?” (não sei o autor). Da mesma forma que não gosto da “direita reaça coxinha”, não estou satisfeito plenamente com a “esquerda caviar”, ainda acredito no suprapartidarismo e que a esquerda pode ser sempre um pouco mais para a esquerda.

Breve serei Dr (serei pós-graduado mesmo, não médico ou advogado), e como um faixa preta, ali começará a maior responsabilidade, porque há muita esperança em você, ter cuidado quando se fala/atua é muito importante. Pregar o ódio e a exclusão é um tiro no pé. Tolerância e respeito acima de tudo, que o futuro seja melhor e que as crianças não contemplem o ódio, intolerância e ignorância dessa nação, e que aqueles que herdem meus genes possam amar seus titios e titias homo ou héteros, cristãos, ateus, Vitória, Bahia, pretos, brancos, azul, verde e amarelos.

P.S.: algumas referências citadas no texto.