terça-feira, 19 de abril de 2011

Nossa Cachaça

Estive assistindo "Todo Mundo Odeia o Chris" e vi um episódio em que ele avalia em ir para o jogo com o pai e o irmão, mas uma "menina" quase atrapalha sua ida ao jogo, tornando-se uma outra opção de lazer. E lembrei dos tempos em que ver o Vitória jogar era obrigação.

Em 1993 despertei para o futebol de vez ao ver meu time Vitória ir à final do campeonato brasileiro, e torci muito, mas a p** do Palmeiras atrapalhou. Mas a "fominhagem" cresceu e passei a ser um real torcedor e passei a ser parceiro meu Pai, que deixou de frequentar a torcida mista - pude ver pela TV (deveria ter uns 7 anos na época) ele e seu compadre (NELMO - torcedor do Itinga) quase tomando uma sova dos PMs à cavalo - NELMO ainda levou uma "cutucada" na cabeça.

ALIBRI ensinou-me a torcer, levando-me à Velha Fonte Nova, e nossa parceria deu certo e não cansávamos dos êxitos, e nem chuva era capaz de nos atrapalhar; e as investidas tornaram-se cada vez mais frequentes. Uma certa vez, a fila, na nossa extinta sede de praia, para adquirir ingressos estava muito grande, quem furou para nós foi Mãezinha grávida de minha irmãzinha, coagida por nós, senão iria esperar no calor (rss)...

Noutro momento, acho que em 1999 (já viciado), dei uma desculpa esfarrapada para sair mais cedo de um trabalho de gravação do filme Metraton. Ingénuo eu, todos sabiam de minha "doença", enquanto escapulia um torcedor do Itinga gritou "vai pro Barradão!?", continuei sem dar ouvidos; minha prima-irmã AP viu meu pai e saiu para falar com ele, o Tutor estava vestindo o manto rubro-negro; ela ainda me viu trocar o meu dentro do carro - que baixassem minha nota, não iria fazer diferença!

A nós juntou-se LEOCON, grande pé quente, o trio parada dura era certo, as articulações eram perfeitas e sumíamos, não havia celular, mas para quem conhecia um pouco era só verificar a tabela de jogos. GEREPI e LUBAR, moradores do Vivendas eram apanhados no meio do caminho para Nossa Casa. E depois que cresceu meu irmão PEMO entrou na jogada, seguindo os ensinamentos do nosso grande Tutor.

O ritual se iniciava em casa, informávamos o destino, almoçava cedo e tomávamos o rumo. Chegando lá, o velho churrasco no palito regado à refrigerante para não ter que ir ao banheiro antes do intervalo - isto mesmo antes de proibir a cerveja dentro do estádio. Após finalizado o jogo a vibração da volta para casa seria determinada pelo resultado. Mas depois do surgimento do engarrafamento na saída, a resenha passou a ser feita ali mesmo, no "isopor" que tivesse a cerveja mais gelada.

Mas é isto, não se meta entre o apaixonado e o futebol, pois somente quem frequenta sabe o quanto é bom estar lá vibrando na arquibancada acompanhando seu time, independente da importância dele, "na alegria, na tristeza, com chuva ou sol". E os reais apaixonados são aqueles que não escolhem para quem vão torcer contando o número de títulos ou sobre imposição da televisão, e sim pelo legado. A paixão é contagiante, não se aprende a torcer sozinho, aprendi com meu Pai, e meus filhos aprenderão comigo!

Infelizmente, serei um torcedor à distância, mas quando meu Vitória vier por estas bandas estarei lá!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Primeiro Feijão

Desde 2002 não sei o que é mãe, calma!!! Vou explicar, moro só e mainha não estava lá para lavar as cuecas nem fazer o ranguinho do seu "neném". Então a partir daí comecei a me enveredar na cozinha e iniciei pelo mais complicado, o ovo frito, que, sempre grudava na panela por teimosia, e para comer satisfatoriamente, colocava dois para comer um.

Para suprir minha deficiência, comecei a utilizar um atributo que possuo, o autodidatismo. Observando passei a usurpar de uma forma produtiva os conhecimentos culinários de outrem. Com o velho Buti me surpreendi, o melhor ovo frito da Bahia, senão do Brasil... soltinho da panela (sem teflon, vale ressaltar), cheiroso e saboroso... dai por diante somente foram glórias. Uma vez em Hellcife, fiquei num tipo de pensionato mas cada um fazia o seu, e num dia à noite fiz um ovo, e todos falaram "que cheiroso... deu até vontade de comer um".

Mas sempre fiquei nos alimentos de baixa complexidade, indo até a massa, passando pela farofa, mas nunca nada além disto. Pois sempre senti-me envergonhado em relação às comidas de "responsa" feijão, sapara (sarapatel para os íntimos), mocotó, dentre outros. Principalmente por estar cercado de especialistas no assunto. Os feijões de MEGO e D. DdM eram os suprassumos, com medo de falhar na tarefa de pelo menos satisfazer o paladar menos rigoroso, me "aputei" (amendrontei - gíria bahiana) e nunca fiz. Até mesmo pela experiência antes da extinção da república da BAND!, em que o feijão mais parecia uma ração para complementar os 4 famintos restritos monetariamente.

As coisas mudam, mudei-me para Hellcife e em breve irei para uma jornada que necessitará de meus dotes culinários, já que não bastará morar junto, agradar será uma obrigação para além do imaginário. Aconselhado por MEGO e norteado por D. DdM triturei os temperos (alho, cebola e pimentão e cominho), adicionei as carnes dessalgadas para refogar, folha de louro e o dono da festa, o feijão. Pegou pressão, 15 min e "tá tudo bão". O cheiro parecia agradável; ao provar percebi que somente perdi tempo, pois ficou bom. Até meu tio GEFRAN comentou que ficou bom e brincando falava: "olha... o primeiro feijão prestou".

Tememos por besteira nossa, o máximo que poderia perder era um panela, ou comer mal até acabar. Soltas as amarras o céu é o limite!!! Rss. É... deram asas à cobra, me aguarde aquela costela num próximo "Chunalaqua" ou "Chunalaum", vocês irão me pedir perdão!!! Como pediram à meu Pai num Chunalaqua!!