Democracia, do grego, kratos = poder
e demo = povo, mas no caso do Brasil é demônio mesmo. Digo isso pela simples olhada
na rede, não fiquei restrito às sociais. Mas vamos lá, uma boa parte não sabe
perder e agride os oprimidos, sendo que quem tem a máquina na mão são os opressores.
O povo sofrido votou pela continuidade das melhorias que vem acontecendo no
país como um todo [1]. Não vou generalizar aos sulistas, pois lá tenho grandes
exemplos de pessoas maravilhosas que passaram por minha vida. Tenho muito
respeito pelos brasileiros, não são podres, os que se manifestam preconceituosamente
sim, mancham a imagem desse povo amigável e cordial.
Sou um negro, e como todos outros
sofro constantemente preconceito pela minha cor da pele, principalmente onde
estou inserido hoje, bairro nobre praieiro de Pernambuco, sendo baiano terminou
de f*** com tudo. Nunca fui favorecido por muitos programas, não tive tudo que
quis, porém educação de qualidade sim, que o diga a ETL e o PhD. Meus pais
oriundos de bairro popular cresceram pois entraram no banco federal e
conseguiram elevar o padrão do seu primogênito, pois a realidade do gueto é
bonita mas é dura, e eles queriam que o garoto amadurecesse e tivesse o conhecimento
que eles não puderam adquirir na época.
Eu “Playboy” (somente por ter
acesso à educação de qualidade, pois meu comportamento passa longe disso)
passei numa universidade pública e vivi a mesma. Fui de Diretório Acadêmico
(DA), onde aprendi e vi como funciona a política. Como a orientação veio de
berço sempre fui de esquerda e lutei com muitos “amigos” pelas melhorias dos
nossos curso e profissão. E sofri, pois nosso DA passou a ser preterido de
discussão devido ao fato de não baixarmos as cabeças para Colegiado, Sindicato
e Conselho. Vi os “militantes” da UJS serem favorecidos simplesmente por sempre
dizerem amém e levantarem bandeiras. Daí surgiu o suprapartidarismo.
Passou o tempo e me formei, e um
Amigo que tenho até hoje me deu uma oportunidade num momento que não tinha
nada, era recém formado e não tinha diploma, pois a universidade entrou em
greve após as defesas de TCC. Diante do conhecimento ele apostou em mim e tenho
plena certeza que não o desapontei. Porém por vontade própria resolvi regredir e
passar a ganhar 3x menos o que ganhava, isso mesmo a bolsa de mestrado era
R$1200.
E de lá para cá o Brasil cresceu,
saiu do mapa da fome [2], e minha vida acadêmica deslanchou, principalmente
com os avanços nos investimentos nas universidades públicas [3] (peguei o bonde embalado já), até a bolsa
aumentou [4]. Tive sorte, pois voltei em momento em que haviam bolsas (sim eu
vivo de Bolsa), pois anteriormente era complicado viver em pós-graduação, não
haviam bolsas suficientes, e minha única complicação foi passar nas seleções
pois tenho mestres que também apostaram em mim. As publicações em geral aumentaram,
o Brasil figura já entre os grandes como desenvolvedores de conhecimento. E
isso tudo você pode expandir para fora dos muros da universidade, quando você
vê que hoje parentes foram beneficiados pelos programas de cotas/financiamento
e são empresários é gratificante, a família progrediu e está crescendo mais, nosso
trabalho e esforço também deve ser valorizado.
E todo esse tempo a mídia
golpista tentando depreciar [5] sem mostrar os reais motivos de tudo (porto de
Cuba é um exemplo [6]), falando-se até em uma ditadura comunista – quem viveu a
ditadura deve ter comichões ao ouvir isso. A rede aumentou o acesso a
(des)informação, as campanhas foram pautadas principalmente em dizer quem era o
pior e sim houve o discurso do medo por ambos os lados, e tentei sempre
argumentar mostrando os desmandos da oposição, que é dona da mídia e oculta
escândalos (mas de vez em quando uma piada não mata). Sei o que passei com meu pai sem aumento salarial por 7 anos, e com
minha mãe ex-bancária, agora profissional liberal, seguindo sem conseguir
investimento. Não queria este passado em minha porta novamente já que ainda existem bancários e PLs em minha vida.
E a rede social passou a mostrar
quem realmente eram seus “amigos”, porque na mínima tentativa de debates o
simples ódio brotava sem argumentos concisos. A diferença são os
direcionamentos dos governos, um pelo menos luta pelo trabalhador/povo e o
outro não, ninguém falou que os bancos tiveram lucros recorde [7] e que de
tomadores passamos a fornecedores [8]... quer dizer, “você samba de que lado?”.
Mas foi bom para identificar aqueles que possuem desvio de caráter, para poder excluir
sem culpa do seu feed, inclusive aqueles que tem a mesma orientação que você,
não o mesmo posicionamento, pois compactuam com o discurso do medo.
Interessante são os “derrotados”
chamarem os “vencedores” de burros, desinformado, que pobre tem que se f***. Mantendo
assim o tom das campanhas, que achei a cara do típico brasileiro, que se vangloria
depreciando os outros. A intromissão é tão grande que quer tomar conta até do
ânus alheio, colocando a margem cidadãos que também pagam impostos da mesma
forma, merecedores de todo o direito civil. E muito me admiram os “cristãos”
que são os primeiros a atirarem a primeira pedra. Vivemos num Estado laico, os dogmas
devem ser restritos aos templos e aos seus seguidores, não venha impor à
sociedade seu “modus operandi”, para depois ir criticar os conflitos no oriente
médio.
Nosso país hoje vive pautado num
ódio pelo diferente, o que perpetua essa luta de classes e e não de ideologias.
A moderação, o respeito e o debate é que farão crescer, pontos contrários podem
ser convergidos para um bem comum, já que vivemos num capitalismo com ações
sociais, melhor tirar o país do mapa da fome do que promover o ódio dizendo que
quem votou tem que se f***. Parafraseando “é porque o técnico não é do seu
gosto que você vai parar de torcer para o seu time?” (não sei o autor). Da
mesma forma que não gosto da “direita reaça coxinha”, não estou satisfeito
plenamente com a “esquerda caviar”, ainda acredito no suprapartidarismo e que a
esquerda pode ser sempre um pouco mais para a esquerda.
Breve serei Dr (serei
pós-graduado mesmo, não médico ou advogado), e como um faixa preta, ali
começará a maior responsabilidade, porque há muita esperança em você, ter
cuidado quando se fala/atua é muito importante. Pregar o ódio e a exclusão é um tiro
no pé. Tolerância e respeito acima de tudo, que o futuro seja melhor e que as
crianças não contemplem o ódio, intolerância e ignorância dessa nação, e que aqueles que herdem
meus genes possam amar seus titios e titias homo ou héteros, cristãos, ateus,
Vitória, Bahia, pretos, brancos, azul, verde e amarelos.
P.S.: algumas referências citadas
no texto.
[2] http://www.foxnews.com/world/2014/09/16/united-nation-report-removes-brazil-from-world-hunger-map/